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Estou eu de férias no meu "resort" particular, quando me telefona o Sensei a dizer que o Pavarotti estava a organizar uma descida de rio, com montes de adrenalina, gajas boas como o milho (isto para quem gosta de milho), comida à fartazana, caiaques de última geração e restante equipamento de luxo (diziam que era Cartier).

 

Disse logo para a minha cara metade:

- "Querida, dia 3 vou descer o rio Tejo com o pessoal!"

- "O que é que queres dizer com - VOU descer o rio? o que queres dizer é POSSO ir descer o rio, não É???!!!"

- "É sim querida, desculpa, não te queria faltar ao respeito..."

- "Bom! Por esta passa, da próxima pode ser que tenha de te pôr um olho negro."

- "Isso não amor, que eu não estou a treinar e depois não tenho desculpa."

- "Estás desculpado, mas eu também vou."

- "Oh flor da minha vida, mas aquilo é só para homens..."

- "Queres ir comos estás ou preferes o olho negro? Já te disse que vou, ponto final!"

- "Não, amor do meu coração, eu estou bem assim, vou já ligar a avisar que também vais."

 

Dia 3, lá nos encontramos em Constância para a tão anunciada descida de rio. Compareceu o pessoal do costume, na 1a. linha eu - sem olho negro - e à minha esquerda a Lígia e uma amiga Austriaca, a Herta e na última posição da direita o Luis (pai do João Fróis) que decidiu dar "uma de homem"... e juntar-se a nós. Mal ele sabia o que o esperava...

 

 

Tínhamos combinado tudo para as 9:30, mas como estamos em Portugal, eram 10:30 e ainda nem tínhamos tido a prelecção que antecede estas cenas.

Entretanto, bateu-me a fome. Fui ao restaurante e pedi uma bica e um pão com queijo. Quando fui para pagar, não havia moedas para o troco, mas a senhora muito gentilmente disse que eu podia pagar quando fosse almoçar. Como não podia deixar de ser, agradeci e disse que me chamava Rui Valadas, não fosse haver dúvidas sobre quem é que ia pagar aquilo.

Finalmente aparece o guia, tão bem organizado, que tinha escrito o nome dos grupos inscritos na palma da mão. Como estavam uns 40º, passados 10 minutos já perguntava "Vocês são do grupo que começa com R e acaba com S ou do que começa com F e acaba com R ?". "Não, nós não somos os RabetaS. Nós somos de Lisboa!"

 

Passados alguns minutos lá começámos a receber o material. Coletes cor-de-rosa macho e impregnados em Cartier Smell, os tamanhos eram universais e embora a mim e ao Carlos ficassem a matar, os outros pareciam que levavam camisas de forças (devia ser por isso que o Manel não parava de rir e de se babar).

 

Democraticamente escolhi as tripulações para cada barco. Destaco os barcos 10, Ligia e Luis Fróis (se não fôr este o apelido, passa a ser...sempre é melhor do que Costa...), o barco 6, Peixoto e José Ramalho, o barco 96, Herta e Pavarotti, e o 666, Manel e João Saúde.

 

 

Passados 20 minutos, já o barco 666 tinha sido re-baptizado de TITANIC. Os dois caramelos da tripulação, conseguiram-no afundar e não fosse a iniciativa pronta, destemida e desinteressada dos dois mais corajosos navegadores daquela via fluvial (eu e o Carlos) e a esta hora o pessoal de Constância estava a comer marisco barato à la Manelli e Jo Sauddhi.

 

 

Antes de começarmos a almoçar o João Saúde a agradecer reconhecidamente a Deus a nossa intervenção, enquanto o David, cheio de remorsos, se mostra arrependido por não ter tido coragem nem bolicaos para saltar para a água e salvar os amigos.

 

 

A meio do caminho parámos no Castelo de Almorol onde o Manel teve oportunidade de sentir na pele o que os mouros tinham sofrido ao atacar o castelo. Já o Daniel aproveitou para, publicamente, arrear o calhau, acto que foi muito aplaudido e apreciado por todos, tendo acabado por bisar o acto para os mais distraídos (o pudor e a educação não me permitem a publicação de fotos destes actos).

 

A partir deste ponto é que começou a adrenalina. Primeiro o guia, talvez enojado com o arrear do calhau desapareceu e nunca mais lhe pusémos a vista em cima. O Luis Fróis, começou a rezar e não parava de amaldiçoar o filho - João Fróis - prometendo vingança para o resto das férias, isto se chegassem com vida ao destino, porque o puto já não tinha forças nem para segurar na pagaia.

 

O Sensei, que sem óculos vê o mesmo que uma toupeira de 80 anos, pedia encarecidamente ao pessoal que não lhe molhasse os óculos. O pessoal até se aguentou muito tempo, mas a vontade intrínseca de me "prejudicarem" (um grande abraço para o Yuri!) era tanta, que o pessoal não resistiu e acabou por me dar um banho de pagaia. Resultado, óculos todos molhados. Era vê-lo a gritar a plenos pulmões "Estou cego! Não vejo um corno!" e eu para o acalmar disse-lhe "Calma, Sensei, estou aqui!!!" (isto não faz de mim corno, pois não?). Ele, então, mais calmo diz-me "Olha vou-me guiar pela tua nuca, não fujas, tá bem?". Vou abrir aqui um parentesis para elogiar a inteligência, perpiscácea e capacidade de observação do Sensei. Nós íamos num caiaque de dois lugares, dentro de água, eu à frente e ele atrás. Por onde é que ele se queria orientar se à frente dele só tinha a minha mona, pelas orelhas? e para onde é que eu podia ir? agarrava na minha metade do caiaque e ia às compras?

 

O Pavarotti que ia com a Herta (que é Áustiaca e não fala bem português) só lhe dizia "Reme ao meu ritmo que eu já estou todo roto." e ela respondia "Iah! Mein Fuher". Já completamente "Fuher"ido, dizia ele, nunca mais cá me apanham. Se ela não fosse amiga do Peixoto, e se ele prometesse não me bater com muita força, atirava-a ao rio e ia-me embora.

 

Muitas subidas e descidas depois ...

 

Quando chegámos ao destino de desembarque já eram quase 14:00. A fome, a sede e a vontade de descansar já era tanta que mal nos aguentávamos de pé.

 

Felizmente a coisa compôs-se e a comida, embora não fosse à fartazana, pois não havia sardinha nem saladinha à maneira, não estava má. Serviram uma sopa da pedra que, a julgar pela cara do artista estava de "trás da orelha" e uma batatas fritas mesmo viciantes, acompanhadas de carne de porco (só agora percebi porque é que o Luis Costa não apareceu).

 

O almoço teve ainda dois momentos altos. Num, o Daniel tenta desesperadamente cortar um dedo ao Manel à velha maneira da Yakuza.

O Manel mijava-se a rir e pensava (... isto é, ele pensa? ...) "g'anda estúpido, mesmo que ele corte 1 eu tenho mais 19... acho eu ...".

Finalmente, lá certou no dedo que foi parar à sopa do André aka Hiena, que todo contente exclamou "Iah! G'anda cena!" mas o Rui, amigo, avisou-o logo de que se ele comesse aquela porcaria era por sua conta e risco.

 

 

 

Fico-me por aqui, acho que a próxima aventura é Paintball.

Avisei logo a Ligia de que era uma aventura só para homens, ao fim e ao cabo penso que isto consiste em "pintar as bolas", não é ???