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É triste constatar que estou a ser plagiado. Estive esta semana no Blog de um reputado Sensei da AKDK, cujo nome não divulgo com medo das represálias, mas cujo apelido é Ramalho (... existem, pelo menos, 4 a treinar!!!) e leio um relato sobre o evento que foi a corrida em "Barcos Dragão", que em nada se assemelha à realidade.

 

Tal atitude é lamentável e, como paladino da verdade e da isenção, vou aqui, embora de forma humilde e porventura não tão detalhada, dado não possuir a capacidade verborreica do referido Mestre, tentar fazer justiça ao evento.

 

 

Sábado,4 de Outubro de 2008, 15:00 - No Largo do Coreto da Amora - Seixal, comparecem 16 heróis (embora 1 fosse civil, a Ana), prontos para a grande aventura que seria a competição da Regata com Barcos Dragão.

 

O Sensei Marco Cruz ficou de aparecer com a sua equipa para abrilhantar o evento. Como verdadeiros karatecas que somos, aproveitámos a oportunidade para fazer um treino conjunto.

 

O Sensei José Ramalho (tão a ver a coincidência do apelido?) e o Sensei Marco acordam então que o melhor seria fazer um treino de preparação física por forma a cansarmo-nos o máximo, permitindo assim que as tripulações dos outros barcos pudesem ter alguma hipótese de tentar cortar a linha de chegada relativamente perto de nós. Diziam eles que era falta de desportivismo darmos grandes "abadas" aos presumíveis profissionais.

 

E assim foi. Uma hora e meia depois de flexões de todos os tipos e feitios, abdominais, agachamentos de pernas, etc, lá estávamos nós todos "rotos" e praticamente sem nos conseguirmos mexer. Os dois Sensei olharam para o nosso estado lastimoso e com um sorriso concordaram que a sua missão estava cumprida e, agora, sim, os outros competidores estavam em pé de igualdade connosco.

 

Este treino teve a visita, inesperada, de alguns personagens famosos, como podem conferir na foto da direita.

       . Atrás de mim temos o Ringo Star (dos Beatles);

       . Atrás do Carlos e do Orlando, o Jim Carey;

       . Ao lado esquerdo do Carlos, o grande herói de Shao Lin, Lin Chunga;

       . Entre mim e o Carlos, o famoso Buda Adormecido;

       . Dos tempos áureos do "tal canal", temos o Serafim Saudade - que, como não podia deixar de ser, ficou ao lado do Sensei Ramalho (será o          mesmo?);

       . À frente do Rui Valadas, de joelhos, temos o Topo Gigio (quem não se lembra dele?);

       . À direita, em pé, o Hugh Effner (da Playboy), abraçado às suas actuais namoradas - Pavarotti e CaGarolas;

       . Na segunda fila, de joelhos, o penúltimo da direita, temos o Sensei Marco, orgulhoso do seu penteado com risco ao lado;

       . Na segunda fila, igualmente de joelhos, temos um membro da Irmandade do Anel (que não o tirou do dedo) o Sensei Ramalho (este nome aparece muitas vezes...).

 

O Rui Valadas faz festas no bicho para o manter sossegadito, enquanto o Rui tenta, em vão, acalmar o Orlando. Reparem que eu já estou a aquecer o remo e metade do pessoal ainda não se sentou. Ao fundo, com camisola verde, vemos o Vale e Azevedo, que se deslocou a Portugal só para participar nesta regata (hello? onde pára a polícia?)

 

Por fim, lá chegou a hora do grande evento. Os barcos estavam na água e a organização começou a chamar os lideres de cada Team.

Será escusado referir que a antiguidade é um posto e os nossos Almirantes eram os Sensei Ramalho e Marco.

Passados uns minutos ficámos a saber que as equipas se chamavam Karaté Pum (a do Marco) e Karaté Pois, acho que o gajo da organização era fanhoso e canhoto, porque o sensei disse-me que nos ia chamar "Touitsu Kai"... não consigo ver a semelhança.

 

A tripulação do Karaté Pum foi a primeira a competir e, como seria de esperar, com tripulação tão fraquita, não tiveram a mínima hipótese, tendo sido logo eliminados.

 

Quando nos altifalantes se ouviu o nosso nome, foi ver uma autentica algazarra à medida que tentávamos embarcar nos 4 dragões em simultâneo. Veio, então, um individuo da organização que nos informou que deviamos ocupar apenas uma das embarcações, as outras destinavam-se aos nossos adversários. O Carlos começou logo a olhar de lado para ele e a ruminar "mau!!!...". Eu tentei explicar-lhe que, se os barcos fossem todos nossos deixávamos de ter adversários. Ele aquiesceu (Manel, depois explico-te o que a palavra significa...) e lá largou o homem, mas sempre a olhar para trás.

Com algum esforço lá nos instalámos todos confortavelmente no mesmo barco e a festa começou. Deixo aqui uma palavra de agradecimento ao nosso timoneiro Sensei Marco Cruz que, embora tenha sido ele a pedir-me (praticamente de joelhos) que o deixasse fazer parte da nossa tripulação a fim de tentar limpar a imagem ridícula da sua participação anterior, "conseguiu levar o nosso barco a bom porto" (é uma frase bonita, não é?).

 

 

A primeira mão, praticamente, não teve história. Ainda as outras três equipas (embora pertencessem a Clubes Navais de renome e estivessem a treinar para o evento à cerca de ano e meio) não tinham sequer conseguido sair da partida e já nós cortávamos a meta com uma vantagem de, quase, 200 metros. Eu sei, é inacreditável, mas vejam a foto seguinte. Ela não mente ... a vantagem é tão grande que os outros nem se vislumbram...

 

 

Já a segunda mão foi outra história. Entusiasmados com o facto de termos ganho a primeira volta e para poder corresponder às expectativas entretanto criadas, só se ouviam gritos de apoio dos muitos milhares de espectadores que ali se deslocaram e enquanto esperávamos para poder competir novamente (não sei se já o disse, mas estavam em prova quase 100 formações), não parávamos de ser cumprimentados, parabenizados pela proeza e, inclusivé, tive o prazer de dar alguns autógrafos - em zonas corporais menos expostas - a algumas fans que não paravam de me assediar e insistiam que, ao pé de mim, o Richard Gere só tinha jeito para fazer anúncios a automóveis.

 

Como dizia, para fazer jus às expectativas, decidimos fazer o tunning do nosso barco.

 

Substituimos o carter original completamente obsoleto (Valadas) por um novinho de última geração (André Mira) e aumentámos o binário do motor acrescentando-lhe mais alguns cavalos. Inicialmente o barco possuia 14 cavalos por isso decimos aumentá-los para 22, recorrendo ao pessoal do Karaté Pum. O resultado, porém, não foi bem o expectado (não Manel, "expectado" não tem nada a ver com "expectoração", logo explico-te...).

Os problemas surgiram logo no arranque. O barco encalhou com o excesso de peso e não havia forma de o pôr a boiar. Ainda atirámos o Rui Valadas e o Manuel borda fora, mas o problema persistia. Nós até tinhamos conseguido arranjar uma solução para o problema se tivessemos espaço para raciocinar, mas o Orlando não se calava com "dicas técnicas" e outras sugestões do tipo "...agora todo o cuidado é pouco..." , de forma que a paciência, mesmo a de Jo (não Manel, não é Jorge, refiro-me a um acólito do Senhor...), acabou por se esgotar.

Aquilo era ver-me a dar mocadas a torto e a direito com o remo na mona dos que conseguia apanhar, enquanto o Sensei Ramalho gritava a plenos pulmões "Óh Orlando, vai para o car... mais as tuas sugestões" e o Rui Magalhães dizia-lhe "Porqué non teh calhas??!!" (colocar sotaque espanhol nesta frase). Aqui ele perguntou-me se o Sensei queria que ele fose para o carro, mas eu disse que era uma força de expressão,  bastava que ele dominasse o ímpeto e fechasse a matraca.

 

Quarenta e cinco minutos depois, a organização decidiu que o melhor era sentarmo-nos todos e pedir a uns voluntários que empurassem o barco para o meio do rio e rezar para que ele continuasse a flutuar. Na margem, outros elementos da organização alteravam no cartaz a frase "estes barcos nunca se viram" por "pensávamos que estes barcos nunca se viravam".

 

A prova foi um massacre. Da borda do barco à água ia praticamente um dedo. Qualquer oscilaçãozinha (tipo o Manel a olhar para o lado), fazia o barco oscilar perigosamente e quase começar a meter água. O timoneiro (talvez devido ao treino anterior) não conseguia manter o barco a direito, pelo que quando conseguimos chegar à linha de partida e ocupar a nossa posição, alguns elementos das outras equipas já estavam de pijama prontos para ir para a caminha (ver "os jogos olimpicos") ou a lavar os dentes após jantar.

 

À medida que passávamos por eles, para ocupar a nossa posição, lançavam-nos olhares ameaçadores e cheguei mesmo a ver um dedo ou outro espetado no ar. Interpretei estes jestos, principalmente o do dedo, como sendo mensagens de estímulo a desejarem que ficássemos em Primeiro lugar, de forma que imediatamente respondi com dois dedos esticados, que significava "espero que fiquem em segundo...". Aqui alguns fecharam o punho e acenaram-me com ele no ar, acho que queriam dizer que sabiam que treinávamos Karaté. Simpáticos estes rapazes ...

 

Depois de ser dada a ordem de partida, foi vê-los voar em direcção à Meta e nós em direcção às rochas da margem. Ainda gritei para o timoneiro "estamos a ir para as rochas, estamos a ir para as rochas!", mas o barulho do pessoal a atirar-se para dentro de água na esperança de poderem sobreviver ao naufrágio era maior e não me consegui fazer ouvir.

 

No fim, enquanto me secava, achei que se calhar a ideia de levar o Stevie Wonder ao leme, não tinha sido uma ideia brilhante.

 

Esta ano não ganhámos, mas para o ano, vou tentar levar a minha arma secreta e aí a história vai ser outra.

 

Fernando Santos, vê lá se não te baldas da próxima com a desculpa de que não tinhas saldo no telemóvel para ouvir as mensagens...

 

No fim como é normal nestas ocasiões, ouve sardinhas assadas, sangria e baile para festejar.